31 janeiro 2010

Mudando de princípios... Talvez!


Outro dia futucando um site aí (Rs) encontrei um poema tão lindo que quis postá-lo... Mas fui pega pela dúvida de estar saindo dos meus princípios... Bem, 'princípios formados', tudo bem ele é lindo e vale conferir! 
Obs.: lá no fim você vai descobrir a autora dessa magnitude.
A viagem
Através da janela eu espiava as estrelas que brilhavam cintilantes naquele dia de céu escuro. Filmes desconexos passavam apressados pela cabeça, e a paisagem lá fora, as árvores do cerrado que eu tanto apreciara das outras vezes, se afiguravam sombrias, emudecidas. Nesses momentos é comum refletir sobre a vida, fazer planos, ter saudade dos que ficaram na rodoviária com lágrimas nos olhos.
O passageiro ao meu lado abre e começa a devorar o pacote de biscoitos de polvilho, não sem antes ter-me oferecido alguns, com a boca já cheia. A criança inquieta que viajava ao lado da mãe, nas poltronas da frente, também decide abrir o saquinho de batatas; quase ao mesmo tempo em que o rapaz de boné que dormira com o disc man ligado despertou e desembrulhou logo um bombom. Aquele silêncio de morte fora interrompido pelos insistentes maxilares daqueles viajantes. Meus pensamentos à mil e meu estômago embrulhando com todo aquele cheiro de comida industrializada.
Eu ali, com vontade de chorar por todos os motivos do mundo. Um nó prende a voz na garganta. Não me permito esboçar nenhuma dor ali, no meio de tantos desconhecidos. Uma possibilidade se apresenta de súbito: e se outra fatalidade acontecesse naquele exato momento? Se houvesse uma colisão entre o ônibus e um outro veículo de dezenas de toneladas?
Nem uma nuvem no céu. Após a tétrica viagem mental que fiz, faço questão de esfregar bem os olhos e certificar-me de que todos estão bem. Vivos. Respirando. Numa das poltronas lá na frente um senhor muito bem vestido lê. Amaioria apenas dorme. Sou tomada de novo pelo mesmo pensamento pavoroso; se algo acontecesse e morrêssemos todos juntos, para onde iríamos, afinal? Seria possível encontrar os entes queridos que já partiram há muito? E os que partiram há pouco, de surpresa, cuja perda parece nem ter sido registrada pelos sentidos, que parecem anestesiados? Há de fato alguém nos esperando em algum lugar? Com vestimentas claras, feições angelicais e tempo infinito para nos explicar pacientemente os mistérios inacessíveis aos mortais da Terra?
Não tenho medo da morte. Tenho medo da solidão. Não essa solidão a que já nos acostumamos; de ver rostos mas desconhecer as identidades, os desejos, os defeitos, a essência. Acostumei-me a ver sem enxergar. Todos nos acostumamos. Falo da solidão absoluta; da completa impossibilidade de comunicar-me; manifestar sentimentos; tocar e poder perceber as coisas. Choro. Começo a soluçar. Como criança, exteriorizo todo o pesar da perda, e a angústia que fustigava meu peito. Olhares discretos e prestativos são dirigidos a mim. Não pronunciei palavra, mas foi como se naquele momento todos ali soubessem o motivo exato do meu choro; complacentes, como se dispusessem-se a dividir aquela dor comigo.
Da janela entreaberta um vento calmo toca meu rosto. Fui placidamente respondida. Nunca estamos sozinhos.

Escrito por Ana Angélica Martins - BBB10

15 janeiro 2010

Haiti

Bem, há algum tempo eu venho imaginando algo para postar aqui, porém, nada mais vem na minha cabeça a não ser falar sobre o Haiti (entendo que muita gente não aguenta mais nem ouvir, nem ler nada sobre o assunto), mas não chego a ser hipócrita a certo ponto, então vou fazer um alto resumo do que se passou (e se passa) por lá.



No dia 12/01/2010  um grande terremoto de magnitude 7,0 na escala Richter atingiu o Haiti, o país mais pobre da América, por volta das 19h50 (horário de Brasília). De acordo com medição preliminar do Serviço Geológico dos Estados Unidos, o terremoto aconteceu a cerca de 10 km de profundidade, a 22 km da capital haitiana, que tem mais de 1 milhão de habitantes. Um terremoto dessa magnitude é capaz de provocar danos graves. O terremoto foi seguido de outros tremores, sendo dois de magnitudes de 5,9 e 5,5. O tremor foi sentido com força em quase todo o território da República Dominicana, país situado na ilha de Hispaniola, como o Haiti, e também no leste de Cuba. Vários prédios vieram abaixo, O prédio da ONUO Palácio Nacional foi reduzido a escombros e dezenas de milhares de pessoas perderam suas casas. A Penitenciária Nacional, a maior de Porto Príncipe, também ruiu, e os detentos escaparam, o que aumentou o clima de insegurança e saques. A Embaixada do Brasil também ficou comprometida. Funcionários estavam trabalhando quando o chão começou a tremer e o prédio a rachar. Ninguém ficou ferido, mas o prédio foi lacrado. Pessoas ainda cobertas de sangue berravam em desespero pelas ruas pedindo socorro. Outras vagavam com olhares perdidos, sem saber o que fazer e para onde ir depois de perderem parentes, a casa e os vizinhos. Praticamente não há hospitais intactos após o terremoto. O prédio da ONU e de muitos dos centros de ajuda humanitária – instalados no país após uma série de catástrofes já ocorridas no passado – também caíram ou estão comprometidos. Com o sistema de telefonia em colapso, a internet foi a única forma de comunicação no Haiti. O rádio, principal meio de comunicação do país caribenho com altos índices de analfabetismo, saiu do ar. 


Ajuda Externa

O presidente dos EUA, Barack Obama, manifestou-se e disse que seus "pensamentos e preces" estão com o povo haitiano. "Estamos monitorando de perto a situação e estamos prontos para ajudar o povo do Haiti", disse, em nota. República Dominicana, França, Colômbia e Venezuela também já se comprometeram a ajudar o Haiti. O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) anunciou um subsídio de emergência de US$ 200 mil para fornecer comida, água, remédios e abrigo para as vítimas do terremoto. O G20 (grupo que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) se comprometeu nesta quinta-feira a entregar "de forma imediata" assistência econômica e em espécie "para o atendimento das necessidades humanas básicas da população do Haiti". Além de muitos outros países e governos que ajudaram - imprescindível.


Enfim...


Entre os feridos e mortos, estão alguns brasileiros, o Brasil é responsável pelo processo de pacificação no Haiti, comanda mais de 7 mil soldados da força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), e tem 1.266 militares no país. Entre eles está a médica Zilda Arns Neumann, coordenadora internacional da Pastoral da Criança, médica pediatra e sanitarista, Zilda tinha 73 anos.



Cadáveres foram enterrados em valas comuns ou pelas próprias famílias. Comida, água e medicamentos escasseiam.

Há o temor de que a situação de segurança fuja de controle, com a falta de água e comida estimulando saques. Também já há relato da ação de gangues armadas e de saqueadores. Haitianos desesperados brigam por comida ou tentam deixar o país.

Nós que não podemos ajudar direta ou indiretamente, nos resta rezar para que esse pesadelo passe logo!